O relatório de emprego: os 3 desafios que ditarão o ritmo do dia
O relatório de emprego: os 3 desafios que ditarão o ritmo do dia
Olá a todos e bem-vindos. Hoje, quinta-feira, 2 de julho de 2026, tudo será decidido às 14h30. O relatório de emprego americano finalmente será divulgado e, pela primeira vez, um bom número poderia assustar seriamente os mercados. Vamos analisar juntos os três grandes desafios que ditarão o ritmo da nossa sessão.
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Os 3 principais desafios a serem observados
Para simplificar, o dia gira em torno de três pontos cruciais:
- O número de empregos (NFP) e, acima de tudo, a interpretação que o mercado fará dele.
- A queda dos semicondutores na Ásia, que exige extrema cautela de nossa parte.
- A curva de juros, que será nosso barômetro para antecipar uma possível recessão.
A queda dos semicondutores: um sinal de alerta?
Ontem, Wall Street fechou um primeiro semestre recorde, mas a sessão estagnou. As ações de chips despencaram, levando o Nasdaq a uma queda de -0,66%, enquanto o Dow Jones permaneceu estável. Vemos grandes movimentos, com ações como a Micron desabando mais de 10%, e, em contrapartida, a Meta saltando quase 9%.
Por que a Meta disparou? Simplesmente porque seu CEO anunciou que eles venderão sua capacidade de computação excedente relacionada à IA. Basicamente, eles criarão uma nuvem para alugar a potência de seus servidores que não usam o tempo todo. É otimização pura, um pouco como alugar sua casa no Airbnb durante as férias. Os mercados adoram isso.
Mas esta noite, o setor de semicondutores sofreu um grande golpe na Ásia. O Nasdaq perdeu todos os seus ganhos a partir das 2h da manhã. A Samsung, por exemplo, caiu 9% na Coreia. Isso é abalador e, para traders do Nasdaq como eu, é um aviso de que teremos que ser muito, muito cautelosos.
A curva de juros: nosso barômetro da recessão
O segundo ponto a ser observado é a curva de juros. Lembro a vocês que ela compara a taxa de empréstimo americana de 2 anos com a de 10 anos. Normalmente, emprestar a longo prazo deveria render muito mais. No entanto, no momento, temos uma contração: a taxa de 2 anos paga 4,18% e a de 10 anos, apenas 4,48%. A diferença é de 0,30 ponto, o que é muito pequena.
Meu conselho seria emprestar a 2 anos. É melhor receber 4,18% por 2 anos e reaver seu dinheiro, do que bloqueá-lo por 10 anos por um pouco mais. Você bloqueia seu dinheiro por mais 8 anos por quase nada.
Historicamente, quando essa diferença se estreita tanto, é frequentemente um sinal precursor de uma recessão. Pode parecer loucura em meio à euforia da IA, mas os sinais são contraditórios. E, justamente, se o número de empregos for muito forte, o banco central poderia aumentar as taxas de juros, o que aproximaria ainda mais a taxa de 2 anos da de 10 anos.
O relatório de emprego (NFP): o encontro crucial
Estamos esperando por ele há quatro dias. O relatório de emprego, chamado NFP nos Estados Unidos, será divulgado às 14h30, horário de Paris. Ele representa o número de empregos criados no mês passado. O consenso espera cerca de 115.000 criações de empregos.
Aqui está o paradoxo:
- Um número acima do esperado poderia ser preocupante, pois significaria que a economia está indo "bem demais", incentivando o banco central a aumentar as taxas de juros para acalmar a situação.
- Um número abaixo do esperado poderia aliviar os mercados, que interpretariam que o Fed não irá mexer nas taxas de juros.
A verdadeira questão não é, portanto, o número em si, mas a reação esperada do banco central, cujo presidente já considera os preços muito altos. O cenário ideal? Um número nem muito quente, nem muito frio. Água morna não é tão ruim assim na Bolsa.
Análise técnica: a cautela é fundamental
No Nasdaq, a mensagem é clara: cautela, cautela, cautela. Esperem até as 14h30. Antes do anúncio, vocês verão o livro de ofertas esvaziar completamente. Os que ficam são jogadores de cassino, não traders. Uma forte amplitude é possível.
O S&P 500 está um pouco menos exposto e permanece em suas máximas históricas. Quanto ao Dow Jones, ele continua a quebrar recordes, tranquilamente. E o CAC 40? Ele está lá embaixo, fiel a si mesmo. Poderia quase ser o início de uma canção: "CAC 40 lá embaixo e DAX lá em cima".
A anedota do dia: o poder do mercado de títulos
Para terminar, uma anedota que ilumina o nosso dia. Nos anos 90, James Carville, conselheiro de Bill Clinton, soltou esta frase um tanto estranha: ele sonhava em reencarnar como o mercado de títulos, porque este "pode intimidar todo mundo".
Trinta anos depois, nada mudou. Continua sendo esse mercado, muito discreto, que dita as regras. É por isso que convido vocês a se acostumarem a observar a diferença entre as taxas de 2 e 10 anos americanas. Se o emprego for muito forte hoje, vocês ouvirão o mercado de títulos rugir e se lembrarão do bom e velho James Carville.
Conclusão
É tudo por hoje. Não há muito mais a acrescentar. O final é um pouco abrupto, mas como é ao vivo e eu nunca edito meus vídeos, prefiro manter essa autenticidade. Portanto, sejam prudentes, e nos vemos amanhã, mesmo sendo feriado nos EUA. A resistência se organiza! Um grande abraço e cuidem-se.
Independent Trader • CME & CBOT Member
Benoist Rousseau é trader, membro do Chicago Mercantile Exchange (CME) e do Chicago Board of Trade (CBOT), especialista em história econômica pela Sorbonne e pedagogo experiente. Com mais de 30 anos de experiência nos futuros CME, na série TRADING compartilha análises de sessão, replays de trades comentados, psicologia e gestão de risco — sem sinais nem promessas, trading bruto e sem filtros.
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