Fed, mercados e minha perda: análise de uma noite agitada

17 9 2026 - Pas de Commentaire, soyez le premier
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Fed, mercados e minha perda: análise de uma noite agitada

Ontem à noite, o mercado dançou ao ritmo do banco central americano. A alta dos juros era esperada, mas o discurso que se seguiu provocou uma grande onda de queda antes de uma recuperação inesperada. Então, foi uma simples recuperação técnica ou o início de uma nova dinâmica? Neste artigo, eu analiso para vocês esta sessão agitada, as implicações para a inflação e os índices, e compartilho com total transparência minha própria experiência de trading, que resultou em uma perda.

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Decifrando a decisão do Fed

Não houve grande surpresa: o banco central americano (o Fed) aumentou suas taxas em um quarto de ponto, como esperado por mais de 90% dos analistas. O que é interessante é que a decisão foi unânime. Mas o discurso do nosso amigo Kevin (o presidente do Fed) francamente não agradou Wall Street.

A reação ocorreu em duas fases:

  1. Uma onda de queda durante seu discurso, que levou os mercados a níveis muito baixos.
  2. Uma recuperação no final da sessão, quando ele parou de falar, que continuou durante a noite, principalmente graças aos mercados asiáticos que se comportaram muito bem.

A grande questão é se essa recuperação é sustentável. A princípio, parece um pouco mais do que uma simples recuperação técnica, pois grandes investidores aproveitaram para comprar ações a preços baixos.

De qualquer forma, há alguém que não deve estar nada satisfeito: Donald Trump. Ele havia nomeado Kevin esperando uma queda nos juros, uma ideia que o obceca, especialmente porque ele é um magnata do setor imobiliário. Obviamente, é mais fácil vender imóveis quando se pode pegar empréstimos a 2% em vez de mais de 5%.

A inflação e a independência do Fed

O contexto econômico está tenso. As taxas de 10 anos americanas estão acima de 5%, o que faz pensar duas vezes antes de comprar um imóvel. Poderíamos ser tentados a esperar uma queda nos juros, mas não é bem esse o cenário que se desenha. O Fed parece determinado a aumentar ainda mais os juros para acabar com a inflação, que corre o risco de ser forte neste inverno, especialmente nos produtos alimentícios devido a colheitas ruins em vários lugares.

É aí que vemos toda a importância da independência do banco central americano. Essa é a sua grande força e é o que tranquiliza os mercados. Mesmo que o presidente americano pressione, o Fed faz o que quer. É por isso que o dólar é a moeda de referência, e não porque os americanos têm mais porta-aviões ou comem mais hambúrgueres. Essa independência é a base de sua superioridade financeira.

Meu trading durante o FOMC: uma lição de humildade

Para mim, a noite não foi nada boa. Devolvi todos os ganhos que havia obtido na segunda e na terça-feira. Eu tenho uma técnica para os dias de FOMC: eu me permito assumir um risco na medida dos meus ganhos recentes. Em 80% dos casos, funciona. Bem, ontem, não funcionou. 📉

Eu quis abrir uma posição bastante grande na Nasdaq, a quase US$ 300 por ponto. Eu estava em um ótimo nível, mas uma aceleração de queda de 50 pontos em poucos segundos me pegou de surpresa. Quando você tem variações tão rápidas com posições desse tamanho, você não pensa: você assume sua perda. Faz parte do jogo. Isso também mostra que na bolsa de valores, não se ganha sempre. Se fosse o caso, isso me entediaria profundamente. Meu único erro foi ter apostado tudo muito rápido.

Análise técnica dos índices

  • Dow Jones: Levou uma boa pancada. A alta dos juros penaliza as ações do setor bancário, como o Goldman Sachs, que alertou sobre uma queda na concessão de crédito. O índice, no entanto, salvou os 52.000 pontos ao ricochetear em um suporte mensal.

  • Nasdaq: É o mais interessante. Ele não despencou como os outros. Ele rapidamente voltou para o meio de sua faixa de negociação (range), como se nada tivesse acontecido. Talvez seja um sinal de que o ponto mais baixo está próximo para este índice. Se voltarmos para os 29.140 pontos, eu poderia abrir uma nova posição, mas com mais prudência desta vez!

  • S&P 500: Permanece em uma clara tendência de baixa há um mês. O mercado está em uma fase onde as quedas são mais fortes que as altas. A prudência é, portanto, essencial: quando se compra em uma recuperação, é preciso realizar os lucros rapidamente.

O estilo direto de Kevin e os outros ativos

Eu gosto de comparar os presidentes do Fed. Tivemos pessoas como Ben Bernanke, que tinha a arte de tranquilizar os mercados. Ele conseguia levantar seu astral mesmo que você tivesse câncer. Kevin não tem o mesmo estilo. Ele é direto, sem rodeios. Ele diz: "Senhor, você tem câncer, lhe restam 6 meses. Próximo!". Os investidores não gostam da verdade nua e crua, mas pessoalmente, eu prefiro assim.

Seu discurso fez tudo cair:

  • O ouro recuou.
  • O Bitcoin caiu novamente para os 75.000.
  • O petróleo perdeu de 4 a 5%, mesmo que permaneça em níveis muito elevados. Aliás, não esperem uma queda rápida nos postos de gasolina. É bem sabido que os aumentos no preço do barril são repassados no dia seguinte, mas para as quedas, é preciso esperar um mês…

Conclusão

Para resumir, o Fed permanece firme diante da inflação, o que mantém os mercados em uma tendência de baixa. A volatilidade está alta, e a prudência é necessária, especialmente ao realizar os lucros rapidamente nas recuperações. Minha perda pessoal de ontem à noite é um bom lembrete: disciplina e gerenciamento de risco são primordiais. Não se ganha sempre, e é justamente isso que torna o trading tão interessante.

Eu compartilhei minha análise e minha experiência sem filtros, um pouco como o Kevin. É o meu estilo, não sei fazer de outra forma. Aliás, na próxima semana, lançarei novos canais temáticos (economia, história, psicologia…). Se você gosta do conteúdo, não hesite em se inscrever!

Benoist Rousseau
Independent Trader • CME & CBOT Member

Benoist Rousseau é trader, membro do Chicago Mercantile Exchange (CME) e do Chicago Board of Trade (CBOT), especialista em história econômica pela Sorbonne e especialista em formação de adultos. Com mais de 30 anos de experiência nos futuros do CME, na série TRADING compartilha análises de sessão, replays de trades comentados, psicologia e gestão de risco — sem sinais nem promessas, trading puro e sem filtros.

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